O casamento
Iniciamos esta coluna com perguntas e respostas “aparentemente” óbvias.
Quantas vezes a atriz Elizabeth Taylor se casou? Resposta: Oito vezes.
Quantos maridos ela teve? Resposta: Sete maridos. Explicação: Ela se
casou duas vezes com o ator Richard Burton.
Com essa introdução,
convidamos os leitores para a celebração do mundo “gramatical” do
casamento. Celebraremos esse tema com o “desejo” de chegar ao altar, com
o envio do convite e com a entrada na igreja. Depois, seguiremos os
noivos na lua de mel e na comemoração das bodas.
Essa relação
“aberta” é necessária, porque precisamos discuti-la para que os leitores
(casados ou não casados) aprendam a conviver harmoniosamente com a
língua portuguesa. A fim de que isso aconteça, pedimos a eles muita
atenção a registros de frases, palavras e expressões.
Para fazer
parte desta coluna, escolhemos tópicos surpreendentes, como um
inesperado pedido de casamento. Nos dois primeiros itens abaixo, por
exemplo, o emprego de vírgula e a flexão do verbo “entrar” surpreendem
qualquer candidato em concursos públicos.
CASADOIRA(S).
Leitoras, leiam atentamente esta frase: As mulheres que só pensam em
casamento não têm amor-próprio. Para uma leitura correta, é preciso
perceber o uso (ou não) de vírgulas: 1. As mulheres, que só pensam em
casamento, não têm amor-próprio (Explicação: Com vírgulas, todas as
mulheres só pensam em casamento e elas não têm amor-próprio.). 2. As
mulheres que só pensam em casamento não têm amor-próprio (Explicação:
Sem vírgulas, algumas mulheres só pensam em casamento e elas não têm
amor-próprio.).
CONVITE. Na maioria dos convites de casamento,
encontra-se frequentemente este registro: “(...) que realizar-se-á em 22
de junho de 2014.” A forma “realizar-se-á” já se tornou um equívoco
consagrado. Nesse caso, o termo “que” atrai a partícula “se” para antes
do verbo “realizar”. A partir de hoje, que todo convite seja escrito e
impresso com a seguinte correção: “(...) que se realizará em
22 de junho de 2014.”
ENTRAR.
Na escada, os noivos caminham em direção à entrada da igreja. Essa cena
lembra duas frases muito interessantes quanto à produção de sentido: 1.
Entraram o noivo e a noiva na igreja. 2.
Entrou o noivo e a noiva na igreja. Na primeira oração, os dois entraram na igreja ao mesmo tempo.
Já na segunda, ele entrou primeiro, e ela o seguiu depois.
LUA
DE MEL. Antes do Novo Acordo Ortográfico, escrevia-se “lua-de-mel” (com
hífen). Agora, com a Nova Reforma Ortográfica, a fim de nomear a
“viagem logo após o casamento”, deve-se retirar o hífen (lua de mel).
Para quem pretende viajar para a segunda ou a terceira lua de mel, vale
registrar adequadamente o plural dessa expressão: luas de mel.
BODAS.
Depois da lua de mel e de algum tempo juntos, marido e mulher comemoram
as “bodas”. Etimologicamente, a palavra “bodas” vem do latim e
significa “promessa”. Essa comemoração de casamento não deve ser feita
com a “boca aberta”. Pronuncia-se o vocábulo bodas com a vogal “o”
(/bôdas/) fechada, e não com ela aberta (/bódas/).
MOSTRA (DA) SUA LÍNGUA
Toque de letra
MATAR.
1. Uxoricídio (/ks/) – “crime praticado pelo marido contra sua própria
mulher”. 2. Maricídio – “crime praticado pela mulher contra seu próprio
marido”.
Curiosidade
ENXOVAL. Antes da cerimônia, toda
noiva organiza seu enxoval. Em árabe (“ash-shuwar”), esse coletivo
significa “dote em dinheiro, joias, móveis, recebido pela noiva”.
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