sexta-feira, 14 de março de 2014

Crônica Gentilmente enviada pelo PROFESSOR J. Jerry Tononi Publicada em A Tribuna - Rede Tribuna - VITÓRIA - ES - BRASIL


E AÍ, PROFESSOR? (Coluna 45 – 01/03/2014) 

O casamento 

Iniciamos esta coluna com perguntas e respostas “aparentemente” óbvias. Quantas vezes a atriz Elizabeth Taylor se casou? Resposta: Oito vezes. Quantos maridos ela teve? Resposta: Sete maridos. Explicação: Ela se casou duas vezes com o ator Richard Burton.
Com essa introdução, convidamos os leitores para a celebração do mundo “gramatical” do casamento. Celebraremos esse tema com o “desejo” de chegar ao altar, com o envio do convite e com a entrada na igreja. Depois, seguiremos os noivos na lua de mel e na comemoração das bodas.
Essa relação “aberta” é necessária, porque precisamos discuti-la para que os leitores (casados ou não casados) aprendam a conviver harmoniosamente com a língua portuguesa. A fim de que isso aconteça, pedimos a eles muita atenção a registros de frases, palavras e expressões.
Para fazer parte desta coluna, escolhemos tópicos surpreendentes, como um inesperado pedido de casamento. Nos dois primeiros itens abaixo, por exemplo, o emprego de vírgula e a flexão do verbo “entrar” surpreendem qualquer candidato em concursos públicos.
CASADOIRA(S). Leitoras, leiam atentamente esta frase: As mulheres que só pensam em casamento não têm amor-próprio. Para uma leitura correta, é preciso perceber o uso (ou não) de vírgulas: 1. As mulheres, que só pensam em casamento, não têm amor-próprio (Explicação: Com vírgulas, todas as mulheres só pensam em casamento e elas não têm amor-próprio.). 2. As mulheres que só pensam em casamento não têm amor-próprio (Explicação: Sem vírgulas, algumas mulheres só pensam em casamento e elas não têm amor-próprio.).
CONVITE. Na maioria dos convites de casamento, encontra-se frequentemente este registro: “(...) que realizar-se-á em 22 de junho de 2014.” A forma “realizar-se-á” já se tornou um equívoco consagrado. Nesse caso, o termo “que” atrai a partícula “se” para antes do verbo “realizar”. A partir de hoje, que todo convite seja escrito e impresso com a seguinte correção: “(...) que se realizará em
22 de junho de 2014.”
ENTRAR. Na escada, os noivos caminham em direção à entrada da igreja. Essa cena lembra duas frases muito interessantes quanto à produção de sentido: 1. Entraram o noivo e a noiva na igreja. 2.
Entrou o noivo e a noiva na igreja. Na primeira oração, os dois entraram na igreja ao mesmo tempo.
Já na segunda, ele entrou primeiro, e ela o seguiu depois.
LUA DE MEL. Antes do Novo Acordo Ortográfico, escrevia-se “lua-de-mel” (com hífen). Agora, com a Nova Reforma Ortográfica, a fim de nomear a “viagem logo após o casamento”, deve-se retirar o hífen (lua de mel). Para quem pretende viajar para a segunda ou a terceira lua de mel, vale registrar adequadamente o plural dessa expressão: luas de mel.
BODAS. Depois da lua de mel e de algum tempo juntos, marido e mulher comemoram as “bodas”. Etimologicamente, a palavra “bodas” vem do latim e significa “promessa”. Essa comemoração de casamento não deve ser feita com a “boca aberta”. Pronuncia-se o vocábulo bodas com a vogal “o” (/bôdas/) fechada, e não com ela aberta (/bódas/).
MOSTRA (DA) SUA LÍNGUA
Toque de letra
MATAR. 1. Uxoricídio (/ks/) – “crime praticado pelo marido contra sua própria mulher”. 2. Maricídio – “crime praticado pela mulher contra seu próprio marido”.
Curiosidade
ENXOVAL. Antes da cerimônia, toda noiva organiza seu enxoval. Em árabe (“ash-shuwar”), esse coletivo significa “dote em dinheiro, joias, móveis, recebido pela noiva”.

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