MAIORIDADE RELATIVA
de uma instalação muito simples.
(publicado em A Gazeta, 02/05/2014)
O Projeto A VALE, A VACA E A PENA
atinge a “maioridade relativa”. No dia 6 de maio completa 18 anos.
Embora uma serie de fatores (lugar,
posição, dimensões, materiais, metodologia, data, período do ano) sejam
controlados todos os anos, em nossa “instalação” nada é quantificado ou
submetido a analise. Nosso teste para identificar a presença de ferro na
poeira é feito com um ímã comum, desses que enfeitam geladeiras.
A experimentação é simples, sem risco,
e pode ser feita por crianças. (Vídeo demonstrativo na página inicial do
nosso site: www.galveas.com)
Não há pretensão cientifica. Nossa
instalação é uma provocação artística, que coleciona frustrações. Não
conseguimos sensibilizar as empresas poluidoras, o governo, políticos, mídia,
universidades e instituições, mas apenas algumas organizações da sociedade
civil, para uma reflexão profunda sobre a ocupação da faixa mais nobre do nosso
precioso litoral com polos gigantescos de atividade siderúrgica, contrariando a
sua vocação para moradia, turismo, esporte, lazer, pesca, cultivo de frutos do
mar e alguns portos.
Nossas universidades de cultura
livresca, que reproduzem informações em vez de gerar conhecimentos, são
seguidas pelas escolas que estudam ciências repetindo experiências. Sem fazerem
investigações próprias, desprezam o nosso ambiente.
Três elementos (ferro, níquel, cobalto)
são atraídos por imã. No Espírito Santo não há registro de empresas manipulando
volumes significativos de níquel ou cobalto. Já o ferro rola em quantidade
impressionante na Ponta de Tubarão.
Observando a poeira que se depositou
sobre as telas da provocação artística A VALE, A VACA E A PENA, em 2013,
notamos que o volume total de partículas diminuiu. O carvão deixou de ser
componente expressivo do pó preto que chega até nós, na Barra do Jucu.
Reduzido esse componente, nossa
percepção é de um significativo aumento do percentual de partículas de ferro na
composição da poeira, mantendo o “pó preto”. Poluição atmosférica visível
que respiramos obrigatoriamente, em toda Grande Vitória e arredores.
Verifique a incidência de ferro em sua
própria casa, ou escola. Faça experiências. Esta é uma provocação feita
anualmente, há 18 anos!
Kleber Galvêas, pintor.
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