DR. JOÃO RESPONDE
MEU INTESTINO ESTÁ
DESREGULADO
Uma das
queixas mais frequentes que escuto no consultório se refere ao mau
funcionamento intestinal.
Ouvi de uma
senhora, durante a consulta: Doutor, antigamente meu intestino funcionava como
um relógio. Mas, de uns tempos para cá, ele vem trabalhando à revelia,
causando-me transtorno e preocupação.
Essa paciente
apresentava vários sintomas, todos eles subjetivos e comuns a inúmeras
patologias. Queixava-se de dor e desconforto abdominal, alternância entre
diarreia e prisão de ventre, produção excessiva de gases, ansiedade e tenesmo.
O que é
tenesmo, doutor?
É a falsa
sensação da vontade de evacuar. É também conhecido como “puxo”. Esse sintoma acaba comprometendo a qualidade
de vida da pessoa, deixando-a insegura, desestimulando-a realizar viagens, sair
com amigos, ir a bares, cinemas e restaurantes.
Afinal, que
doença o senhor está suspeitando que eu tenha?
Como sua
avaliação encontra-se normal e a senhora não apresenta nenhum sinal de alarme,
o diagnóstico aponta para Síndrome do intestino irritável.
Quais são
esses sinais de alarme? Perguntou a paciente.
Febre
contínua, perda de peso, anemia, aparecimento de sangue nas fezes e falta de
apetite, expliquei. A presença desses
dados faz pensar na possibilidade de uma patologia séria. Cabe lembrar que mais
da metade dos pacientes que procuram um gastroenterologista em qualquer parte
do mundo, não apresenta doença orgânica. Mediante esse fato, mostrando
sensibilidade intestinal, pensamos em doença funcional, ou seja, sem alterações
anatômicas, estruturais, bioquímicas ou infecciosas, que justifiquem seu mau
funcionamento.
Qual seria a
causa dessa doença? Ela tem cura?
A maioria
das doenças funcionais não possui causa definida. Não se sabe ainda quais os
fatores que determinam o surgimento de seus sintomas. Prováveis condições
psicossociais, genéticas e ambientais são implicadas na gênese dessas moléstias.
Mudanças na flora intestinal causadas por inflamações e infecções, já foram
implicadas em sua etiologia. Aspectos emocionais também foram abordados, uma
vez que os distúrbios ansiosos parecem precipitar o aparecimento dessa
enfermidade.
Infelizmente
essa síndrome não tem cura, embora possa ser controlada. Sua presença inquieta
muito o paciente, sempre desconfiado da possibilidade de estar com câncer. Por esse
motivo, a relação médico-paciente deve ser de confiança, deixando claro que se
trata de uma patologia funcional. Essa atitude reduz a apreensão e a angústia
da pessoa frente essa síndrome de origem desconhecida. A maioria dos doentes
necessita mais de esclarecimento do que de medicamentos, embora os remédios devam
ser prescritos em caso de dor.
Lembretes
dietéticos, tais como evitar alimentos gordurosos e vegetais sabidamente
produtores de gases, ajudam no controle dos sintomas.
O intestino
é considerado nosso segundo cérebro. Um importante neurotransmissor denominado
Serotonina é fabricado naquela região. Essa substância é responsável pela
modulação do sono, da sexualidade, do humor, entre outras funções. Mudanças no
funcionamento do intestino acabam prejudicando também o equilíbrio emocional.
Podemos
comparar o tubo intestinal como a “Faixa de Gaza”, aquela região situada entre
Israel e Palestina, sempre em tumultuado conflito. Basta alguma provocação de
um lado, para que a outra parte declare guerra. Dentro da contaminada luz
intestinal moram 300 trilhões de bactérias, mantendo precária trégua com as
células imunológicas locais. Qualquer desequilíbrio de um desses habitantes, o
intestino vira um campo de batalha, gerando injúria ao hospedeiro. Saúde, nesse
caso, é manter política de boa vizinhança.
JOÃO EVANGELISTA TEIXEIRA
LIMA
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