quarta-feira, 25 de junho de 2014

MEU INTESTINO ESTÁ DESREGULADO: Doutor João Evangelista!!



DR. JOÃO RESPONDE

MEU INTESTINO ESTÁ DESREGULADO

Uma das queixas mais frequentes que escuto no consultório se refere ao mau funcionamento intestinal.
Ouvi de uma senhora, durante a consulta: Doutor, antigamente meu intestino funcionava como um relógio. Mas, de uns tempos para cá, ele vem trabalhando à revelia, causando-me transtorno e preocupação.
Essa paciente apresentava vários sintomas, todos eles subjetivos e comuns a inúmeras patologias. Queixava-se de dor e desconforto abdominal, alternância entre diarreia e prisão de ventre, produção excessiva de gases, ansiedade e tenesmo.
O que é tenesmo, doutor?
É a falsa sensação da vontade de evacuar. É também conhecido como “puxo”.  Esse sintoma acaba comprometendo a qualidade de vida da pessoa, deixando-a insegura, desestimulando-a realizar viagens, sair com amigos, ir a bares, cinemas e restaurantes.
Afinal, que doença o senhor está suspeitando que eu tenha?
Como sua avaliação encontra-se normal e a senhora não apresenta nenhum sinal de alarme, o diagnóstico aponta para Síndrome do intestino irritável.
Quais são esses sinais de alarme? Perguntou a paciente.
Febre contínua, perda de peso, anemia, aparecimento de sangue nas fezes e falta de apetite, expliquei.  A presença desses dados faz pensar na possibilidade de uma patologia séria. Cabe lembrar que mais da metade dos pacientes que procuram um gastroenterologista em qualquer parte do mundo, não apresenta doença orgânica. Mediante esse fato, mostrando sensibilidade intestinal, pensamos em doença funcional, ou seja, sem alterações anatômicas, estruturais, bioquímicas ou infecciosas, que justifiquem seu mau funcionamento.
Qual seria a causa dessa doença?  Ela tem cura?
A maioria das doenças funcionais não possui causa definida. Não se sabe ainda quais os fatores que determinam o surgimento de seus sintomas. Prováveis condições psicossociais, genéticas e ambientais são implicadas na gênese dessas moléstias. Mudanças na flora intestinal causadas por inflamações e infecções, já foram implicadas em sua etiologia. Aspectos emocionais também foram abordados, uma vez que os distúrbios ansiosos parecem precipitar o aparecimento dessa enfermidade.
Infelizmente essa síndrome não tem cura, embora possa ser controlada. Sua presença inquieta muito o paciente, sempre desconfiado da possibilidade de estar com câncer. Por esse motivo, a relação médico-paciente deve ser de confiança, deixando claro que se trata de uma patologia funcional. Essa atitude reduz a apreensão e a angústia da pessoa frente essa síndrome de origem desconhecida. A maioria dos doentes necessita mais de esclarecimento do que de medicamentos, embora os remédios devam ser prescritos em caso de dor.
Lembretes dietéticos, tais como evitar alimentos gordurosos e vegetais sabidamente produtores de gases, ajudam no controle dos sintomas.
O intestino é considerado nosso segundo cérebro. Um importante neurotransmissor denominado Serotonina é fabricado naquela região. Essa substância é responsável pela modulação do sono, da sexualidade, do humor, entre outras funções. Mudanças no funcionamento do intestino acabam prejudicando também o equilíbrio emocional.
Podemos comparar o tubo intestinal como a “Faixa de Gaza”, aquela região situada entre Israel e Palestina, sempre em tumultuado conflito. Basta alguma provocação de um lado, para que a outra parte declare guerra. Dentro da contaminada luz intestinal moram 300 trilhões de bactérias, mantendo precária trégua com as células imunológicas locais. Qualquer desequilíbrio de um desses habitantes, o intestino vira um campo de batalha, gerando injúria ao hospedeiro. Saúde, nesse caso, é manter política de boa vizinhança.
JOÃO EVANGELISTA TEIXEIRA LIMA

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